terça-feira

Profissional da área fala sobre a aplicação em futebolistas e plano de trabalho integrado com clubes



 Parte da entrevista cedida ao site Universidade do Futebol em 2012
Em linhas gerais, o grande alvo da quiropraxia é diagnosticar, tratar e prevenir os problemas do sistema neuro-esquelético, ou seja, das articulações, músculos, tendões, nervos e outras estruturas, bem como os efeitos destas alterações sobre a saúde em geral, que podem estar se manifestando dolorosamente ou ainda não.


Há quase três décadas, os quiropraxistas desportivos atuam no Comitê Olímpico Norte Americano, auxiliando os atletas a buscarem seu melhor desempenho. No âmbito futebolístico, esse profissional específico já se encontra vinculado a departamentos principais de clubes importantes.
Diferentemente da situação em que a quiropraxia encontra no futebol europeu, entretanto, no Brasil, as agremiações ainda estão passando por um momento de descobrimento. Mas a novidade é muito bem
aceita pelos atletas, revela Roberto Bridi.

Formado dentro das diretrizes de graduação e segurança conforme preconiza a OMS, Bridi aprofundou seus estudos na área desportiva com cursos específicos em Ciências da Saúde e do Esporte. À frente do TORQUE - Terapia Osteomuscular e Reabilitação Quiroprática Esportiva, ele busca em 2012 fincar a posição dessa profissão de modo definitivo no território nacional.
"O quiropraxista não tem como praticar a fisioterapia e a medicina, pois não é graduado em tais; o mesmo serve aos fisioterapeutas e médicos, cujas graduações não é em quiropraxia. O objetivo neste grupo de trabalho é facilitar o serviço de ambos, pois a quiropraxia busca otimizar os resultados deste ambiente", explica.
Nesta entrevista à Universidade do Futebol, Bridi fala com mais profundidade sobre a metodologia e a estrutura funcional do TORQUE, os benefícios da quiropraxia aos atletas em formação, as especificidades da técnica de Kinesio Tape e como o mercado esportivo se apresenta a essa área.
Universidade do Futebol - Qual a sua formação acadêmica e desportiva?

Roberto Bridi - Minha formação na profissão segue as diretrizes de graduação e segurança conforme preconiza a OMS (Organização Mundial da Saúde), órgão interno da ONU (Organização das Nações Unidas) responsável pela direção e administração de ações na área da saúde mundialmente.

Posteriormente, aprofundei meus estudos na área desportiva com cursos específicos e Lato Sensu no desporto. Sou Bacharel em Quiropraxia pela Universidade Feevale-RS, especialista em Ciências da Saúde e do Esporte, pela PUC-RS, ICSSD (International Chiropractic Sport Science Diploma) na New York Chiropractic College, e possuo o certificado da FICS (Federation International Chiropractic Sport), além do RCP (Ressuscitação Cardio Pulmonar) pela National Safety Council - Rescue Trainning International,
Também concluí alguns cursos de curta duração na área da quiropraxia e quiropraxia desportiva.
Universidade do Futebol - Como se relaciona sua área de atuação com o ambiente do futebol?
Roberto Bridi - A relação é ótima, tanto na prevenção, como reabilitação e performance. A aceitação por parte dos atletas é excelente, e surpreende como eles percebem os resultados.

No Brasil, ainda precisamos avançar, mas já estamos começando a verificar mudanças em diversos esportes, curiosamente por parte dos atletas, que solicitam aos clubes a inclusão do quiropraxista no departamento médico ou sua liberação para consultar com seu quiropraxista particular.
Todos os anos as agremiações de futebol empregam altos valores em apostas de elenco, mas o que é investido nos profissionais de suporte é baixo, em se comparando a importância de um time ter seus jogadores rendendo 100% - diversas vezes uma partida importante é vencida pelos detalhes.
Administrar este detalhe talvez seja a diferença entre o primeiro e segundo lugar. É isto que o projeto do TORQUE oferece com a quiropraxia desportiva: podemos facilitar o trabalho de todos os outros profissionais envolvidos, deste o departamento médico até o técnico, para que o resultado seja positivo.
"No Brasil, ainda precisamos avançar, mas já estamos começando a verificar mudanças em diversos esportes", avalia Bridi 

Universidade do Futebol - Como é está abordagem aplicada ao futebol?
Roberto BridiDepende muito da proposta realizada junto ao clube contratante, visto que o mesmo pode optar pelo trabalho do quiropraxista junto ao departamento médico e equipe, durante viagens ou no clube, ou ainda na clínica, com os atletas sendo direcionados para o atendimento. Conforme a proposta acertada com o clube, é definida a conduta para com os atletas.
Basicamente, as questões técnicas realizadas com os atletas são muito similares a utilizadas com representantes de diferentes modalidades esportivas, com algumas características específicas. No futebol, por exemplo, existe a possibilidade de os atendimentos serem realizados minutos antes da partida inclusive, também no intervalo e no fim do duelo, no próprio vestiário.
Diferente de alguns esportes em que o atleta não tem intervalo, não tem vestiário ou local para atendimento.
Universidade do Futebol - De maneira prática, como a quiropraxia pode auxiliar o rendimento dos atletas profissionais de futebol?
Roberto Bridi - A quiropraxia aplicada ao futebol tem o intuito de otimizar a performance do atletas proporcionando a ele uma maior amplitude de movimentação, auxílio na redução do tempo de tratamento, remissão de algumas queixas dolorosas na região do quadril, coluna vertebral e articulação de extremidades.
Ela também está focada na prevenção de processos degenerativos, já que estas articulações estão mais bem posicionadas - no caso de jovens atletas, há um caráter preventivo maior ainda. A sensação de leveza também proporciona aos atletas melhor bem estar, exatamente o motivo de alguns atletas requererem o atendimento antes dos jogos.
Por exemplo, o atual campeão de Formula 1, Sebastian Vettel, recebe este tipo de atendimento processual uma hora antes da largada dos Grandes Prêmios.
Quiropraxia aplicada ao futebol tem o intuito de otimizar a performance do atletas e prevenção de processos degenerativos 
Universidade do Futebol - Qual é a especificidade da aplicação da técnica dessa profissão a jovens atletas em formação? E a mulheres futebolistas?
Roberto Bridi - A importância de um trabalho desde a equipe de base é fundamental com resultados que podem promover o prolongamento de uma carreira promissora. Os atletas que estão em pleno desenvolvimento podem ser precavidos de, no futuro, ter problemas como alterações de curvaturas fisiológicas na coluna vertebral, preservação de discos intervertebrais e suas respectivas alturas, desequilíbrios de rotação de quadril (que proporcionará, se não forem corrigidos, problemas em articulações como o púbis e de extremidades e suas respectivas cartilagens).
O atleta promissor que hoje apresenta problemas de lesões crônicas (joelho, pubalgia, hérnia de disco, etc.) poderia ter evitado ou estendido sua carreira ainda mais alguns anos. Além de proporcionar a este organismo que se desenvolva sem interferências de desequilíbrio articular e muscular, por consequência.
São inúmeros os benefícios que a quiropraxia pode oferecer a jovens atletas e praticamente poderia se falar disso em um artigo somente para eles, pois alguns problemas são características em determinadas idades e em muitos casos pode-se evitar o desenvolvimento que poderia diminuir a performance deste na fase adulta.
No meio do futebol feminino segue quase a mesma conduta de futebol masculino e suas respectivas categorias, com algumas particularidades. Estas são referentes ao atendimento aos tipos de lesões - alguns têm maior incidência no grupo feminino do que no masculino, e vice versa.
A aplicação de algumas técnicas em nível músculo-esquelético tem algumas diferenças durante a abordagem, pois normalmente as mulheres apresentam maior flexibilidade, e isso abrange mudanças na aplicação das mesmas sobre as articulações.
Universidade do Futebol - No Brasil, os clubes de futebol ainda não possuem em suas comissões técnicas um quiropraxista. Por que? Como avançar nessa questão?
Roberto Bridi - Realmente o Brasil precisa avançar e administrar melhor estes detalhes importantes para seus atletas. Observamos que muitos clubes investem em um único jogador mais do que é investido em todos os responsáveis pelo cuidado da saúde do mesmo.
Se este jogador e equipe valem todo o aporte financeiro, mantê-los 100% bem em se tratando da capacidade física e da saúde também merecem um bom investimento.
Alguns anos atrás, os clubes não davam atenção a outras profissões dentro do departamento de futebol, também. Em alguns casos, o trabalho de determinados profissionais era realizado em espaços inapropriados e com poucos equipamentos e má infraestrutura.
Na Série A do Campeonato Brasileiro, esse panorama mudou muito, mas ainda em muitos clubes de divisões inferiores, não se tem ninguém trabalhando como contratado. E quando tem o investimento em material, é bastante reduzido; lógico que existem também exceções.
Particularmente acho fundamental que no Departamento Médico (DM) de um clube, seja qual sua divisão, haja profissionais qualificados contratados para trabalhar em turno integral. O mesmo segue com a quiropraxia.
Acredito que ainda irá demorar um pouco para que os clubes percebem a importância e a diferença que o serviço agrega. Terão mais êxitos aqueles que se anteciparem e incluírem este profissional atuando com os demais.
Talvez uma experiência seja interessante: solicitar aos atletas um relato particular sobre o quiropraxista e também do DM sobre o resultado em uma temporada. Posteriormente, avaliar a importância deste profissional atuando de modo integrado naquele ambiente. Tenho certeza de que os dirigentes iriam se impressionar com os relatos e resultados.
A quiropraxia não estaria em quase todas as comissões técnicas de clubes esportivos no Estados Unidos e na Europa se não proporcionasse um diferencial significativo. Também não seria a segunda maior profissão na área da saúde nos EUA se qualquer outra pessoa pudesse realizar este trabalho.
Universidade do Futebol - Alguns exemplares europeus já apresentam resultados de sucesso. O Laboratório do AC Milan é um deles. O que você pode falar sobre esse caso?
Roberto Bridi - O Milan contratou o quiropraxista Jean Pierre Meerssmann. Ele é o fundador e diretor do Milan Lab, Jean Pierre, nascido na Bélgica, país onde o meio desportivo não compreendia seu trabalho e a importância do mesmo. 

Por volta de 1970, talvez por falta de conhecimento de alguns profissionais que estivessem presos a paradigmas, ele procurou novos horizontes.

Jean Pierre foi para o Milan, e deu início ao laboratório por ele projetado e operacionalmente ativo desde 2002, que hoje é conhecido e reconhecido em toda a Europa pela excelência no futebol.
Muitos clubes europeus - o Chelsea, da Inglaterra, é um exemplo - adicionaram quiropraxistas no departamento médico depois de terem conhecimento do trabalho organizado no rival italiano - muito por conta, também, dos relatos de atletas que por lá passaram.
Não vamos atribuir todo mérito do sucesso de um laboratório cuja referência é feita pelo nome "Laboratório dos Deuses" à quiropraxia, mas podemos dizer claramente que esta profissão é uma grande ferramenta e que contribuiu e contribui muito no futebol, atuando em conjunto com os outros profissionais de lá: dentista, psicólogo, fisiologista, etc. 
Universidade do Futebol - Como se daria a integração entre as funções do quiropraxista, em consonância aos trabalhos do fisioterapeuta e do preparador físico no futebol?
Roberto Bridi - É muito simples: cada profissional faz o seu trabalho. Difere-se do realizado na clínica normalmente, porque no clube o quiropraxista trabalha com outros profissionais. Mas cada qual tem suas responsabilidades.
Aos poucos, tudo se encaixa: o quiropraxista não tem como praticar a fisioterapia e a medicina, pois não é graduado em tais; o mesmo serve aos fisioterapeutas e médicos, cujas graduações não é em quiropraxia. O objetivo neste grupo de trabalho é facilitar o serviço de ambos, pois a quiropraxia busca otimizar os resultados deste ambiente.
Pelo que converso com preparadores e fisioterapeutas do futebol, eles sempre são muito claros em dizer que tudo que for feito para facilitar o serviço deles é visto com bons olhos. E acredito que outros profissionais devem entender da mesma forma.
O mais importante de tudo não sou eu, nem meu trabalho, mas o resultado dele em conjunto. Nos EUA, por exemplo, o quiropraxista trabalha também em centros de treinamento olímpico.
Universidade do Futebol - Do que se trata o TORQUE e quais são as especialidades?
Roberto Bridi - O TORQUE - Terapia Osteomuscular e Reabilitação Quiroprática Esportiva - é um método de trabalho onde a atuamos com a quiropraxia e outras profissões focado na área desportiva e que pode ser contratado pelo atleta ou clube de uma forma singular ou associada, conforme o plano pretendido.
Os planos cobrem a quiropraxia desportiva ou algumas áreas associadas, como treinamento físico e mental coach. Portanto, pode-se optar pelo tipo de serviço que deseja contratar, como a quiropraxia desportiva, integrando ao plano estas outras duas especialidades ou não.
A prestação do plano e o atendimento podem ser disponibilizados em uma das quatro clínicas ou no próprio clube. Todos os profissionais que integram o TORQUE são altamente qualificados em suas propostas, e fizeram parte do treinamento físico em Jogos Pan-Americanos, Sul-Americano e muitas outras competições.
Já na área destinada ao mental coach, contamos com profissional com mais de 13 anos de experiência, atuando para construir campeões. Atualmente, essa especificidade está em grande avanço no EUA, tanto em clubes quanto em trabalho individual com atletas.
O TORQUE também tem por filosofia junto a estes outros profissionais produzir artigos científicos na área desportiva, promover cursos de formação, qualificação, certificação, extensão e palestras. Mantemos constante contato com quiropraxistas desportivos do exterior para ter atualmente o que melhor está sendo utilizado nesta área pelos atletas de outros países, como EUA, Canadá, Alemanha, Chile, Japão, China, Austrália, Espanha, e muito outros.
Presente em quase todas as comissões técnicas de clubes esportivos no Estados Unidos e na Europa, quiropraxia ainda dá os primeiros passos no futebol brasileiro

Universidade do Futebol - Fale um pouco sobre o Kinesio Tape e o uso dessa técnica em atletas de futebol (entendimento sobre a aplicação, benefícios, etc).
Roberto Bridi - O método do Kinesio Tape foi inventado por um quiropraxista japonês chamado Kenzo Kase na década de 70, o qual se inspirou na própria quiropraxia para sua concepção e utilizou como base a cinesiologia - este método auxilia na reabilitação de lesões sem limitar os movimentos.
Pode-se ficar com as fitas de três a cinco dias, utilizar em qualquer idade e inclusive molhá-las: a atuação é diretamente sobre o sistema tegumentar e conforme sua disposição na musculatura, através de estímulos gerados pela força reativa da bandagem, os quais provocam reações curativas na região lesionada.
Além de promover a correção de função dos músculos, as fitas melhoram a circulação sanguínea e linfática na região e também ativam as terminações nervosas de acordo com a forma de aplicação, fazendo com que o cérebro responda ao estímulo trazendo melhora à área lesionada e consequentemente diminuindo a dor. Não é utilizado nenhum tipo de componente químico como medicamento.
No futebol, ela é muito usada e bem aceita entre os atletas. A aplicação do Kinesio Tape deve ser feita por um profissional especializado. Caso contrário, pode não surtir o efeito desejado.
De acordo com o resultado desejado, mudam a posição, direção, tensão e o corte da bandagem. Durante a aplicação, menos 50% de tensão servem para estimular a musculatura, enquanto mais 50% de tensão funcionam para corrigir alguma coisa. Cada objetivo pede uma colocação diferenciada. Para mudar alguma tensão, por exemplo, a fita deve ser aplicada de cima para baixo, porém se o objetivo é estimular o músculo, devemos aplicá-la de baixo para cima. E por aí segue sua aplicação com diversas particularidades de objetivos e lesões. 
Universidade do Futebol - Como você avalia a formação dos quiropaxistas no Brasil e o mercado? Há muitos eventos ligados a essa área? Como se qualificar para atuar especialmente no futebol?
Roberto Bridi - Durante as viagens, tenho conferido que a atuação do Brasil na formação de profissionais graduados na área, além de obedecer a diretrizes internacionais, está com uma qualidade muito boa e bem situada em relação a diversas universidades do exterior.
O mercado tem muito a se desenvolver em diversas áreas ainda no Brasil - por aqui, quiropraxistas trabalham em clínicas particulares, mas podem desenvolver atuações junto a hospitais, spas, clubes e outros. Em áreas como pediatria, geriatria, obstetrícia e muitas outras, também há muito a proporcionar à população.
Na área do esporte, não temos muitos eventos e cursos e, portanto, grande parte do aperfeiçoamento ainda é buscado no exterior; mas alguns cursos já estão chegando para o país, promovidos por quiropraxistas internacionais.
Para qualificar-se no atendimento ao futebol, a sugestão é estar no meio, primeiramente, atuando com profissionais que trabalham nos clubes; ter conhecimento de como é a carga de treino; a atuação dos outros profissionais; as lesões mais acometidas em atletas; conhecer o dia a dia do futebol profissional e também das categorias de base.
Saber o que está sendo realizado na quiropraxia de clubes no exterior e promover técnicas desportivas que agreguem no serviço já ofertado pela instituição também é importante. Para finalizar, muito respeito aos outros profissionais que lá já atuam e demonstrar que você chega pra adicionar com sua função.

Universidade do Futebol: Algum projeto para o ano de 2012?
Roberto Bridi - O TORQUE está entrando em 2012 com um belo projeto destinado particularmente ao futebol. O projeto tem base nos modelos europeus e inglês, locais onde é disponibilizado ao atleta um atendimento visualizado-o como um todo.
A intenção do nosso serviço quiroprático é a associação ao trabalho do mental coach. Todos os atletas têm neles próprios os recursos necessários para sua performance alcançar 100%; alguns trabalham a 70%, 80%, outros 90%, e existem aqueles que conseguem a plenitude.
Neste projeto, o profissional do mental coach proporciona ao atleta liberar tudo aquilo que está lhe "travando", seja para buscar a performance que tinha anteriormente, ou para alcançar seu melhor potencial. Com a produção mental focada e orientada, chega o momento de, junto ao trabalho quiroprático, fazer com que estas informações cheguem ao sistema neuro-músculo-esquelético, livre de interferências.
Dessa forma, o atleta produzirá seu melhor, facilitando o serviço dos demais profissionais envolvidos, como técnicos, preparadores físicos, médicos, etc.
Este trabalho oferece ao atleta a possibilidade de ter uma performance constante, além dos fatores anteriormente citados, como a prevenção, a reabilitação e a otimização da performance.


Bridi (esquerda) em Santiago do Chile, em 2009, no Campo da Universidad de Las Americas: intercâmbio é uma das necessidades para desenvolvimento da profissão em sua especialização no esporte

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